segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Eu cresci pensando que eu era melhor.
Que minha cidade era a mais bela, minha família a mais unida e meus amigos os mais fiéis.
Que meu cabelo era o mais bonito, meu nariz o mais fino e minha educação mais avançada.
Cresci pensando que o mundo deveria me amar, que tudo que eu fizesse seria o certo e ninguém deveria nunca cogitar em duvidar disso.
Sério, eu cresci assim... Afinal, eu fui a primeira filha, a primeira neta. Enfim, fui a primeira.
A criança de ouro.


Por muito tempo, eu vivi nessa ilusão. Vivi pensando que todos deveriam me aceitar do jeito que eu sou, que eu não deveria mudar por ninguém. Considerando uma ofensa grave e digna de apedrejamento quando alguém discordava ou simplesmente não fazia exatamente
o que eu queria.
Eu era egoísta.

Mas... Algo mudou.
Da noite pro dia eu já não parecia mais tão perfeita. Meu jeito seco e grosso já não parecia tão elegante.
Eu fui perdendo o brilho.
Não, roubaram meu brilho.

Toda vez que eu olho pra você eu posso ver meus defeitos. Você parece ser perfeito aos meus olhos, apesar de eu saber de todos os seus erros.
Eu te vejo e enxergo a verdade, a verdade que eu demorei tanto pra ver.
É incrível o que um amor faz com a gente.
Você quebrou minhas pernas, você me fez perceber que eu precisava mudar.
Me fez cair do meu mundinho inventado, das minhas mentiras irreais. 

Eu não vou dizer que mudei. Que agora sou uma pessoa totalmente diferente e que não tenho mais o que evoluir.
Isso seria mentir pra mim novamente.
A diferença é que agora eu consigo ver, eu preciso de você pra ser meus olhos.
Pra ser a ancora que me mantém com os pés no chão. 

Minha rocha sólida.