segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Eu cresci pensando que eu era melhor.
Que minha cidade era a mais bela, minha família a mais unida e meus amigos os mais fiéis.
Que meu cabelo era o mais bonito, meu nariz o mais fino e minha educação mais avançada.
Cresci pensando que o mundo deveria me amar, que tudo que eu fizesse seria o certo e ninguém deveria nunca cogitar em duvidar disso.
Sério, eu cresci assim... Afinal, eu fui a primeira filha, a primeira neta. Enfim, fui a primeira.
A criança de ouro.


Por muito tempo, eu vivi nessa ilusão. Vivi pensando que todos deveriam me aceitar do jeito que eu sou, que eu não deveria mudar por ninguém. Considerando uma ofensa grave e digna de apedrejamento quando alguém discordava ou simplesmente não fazia exatamente
o que eu queria.
Eu era egoísta.

Mas... Algo mudou.
Da noite pro dia eu já não parecia mais tão perfeita. Meu jeito seco e grosso já não parecia tão elegante.
Eu fui perdendo o brilho.
Não, roubaram meu brilho.

Toda vez que eu olho pra você eu posso ver meus defeitos. Você parece ser perfeito aos meus olhos, apesar de eu saber de todos os seus erros.
Eu te vejo e enxergo a verdade, a verdade que eu demorei tanto pra ver.
É incrível o que um amor faz com a gente.
Você quebrou minhas pernas, você me fez perceber que eu precisava mudar.
Me fez cair do meu mundinho inventado, das minhas mentiras irreais. 

Eu não vou dizer que mudei. Que agora sou uma pessoa totalmente diferente e que não tenho mais o que evoluir.
Isso seria mentir pra mim novamente.
A diferença é que agora eu consigo ver, eu preciso de você pra ser meus olhos.
Pra ser a ancora que me mantém com os pés no chão. 

Minha rocha sólida.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Eu me encontro em mim mesma. Todo esse mundo é como uma extensão de mim.
Eu vejo, mas não enxergo, eu ouço, mas não escuto.
Tudo parece muito vago comparado as coisas que acontecem aqui dentro.
Extremista, extremamente egoísta.
A importancia do mundo material é tão minima...
Não existem palavras capazes de expressar esse turbilhão de emoções.
É uma incostancia irritante, onde um dia eu posso ser o topo do mundo e no outro estou no buraco mais profundo.
Eu olho pra cima, mas não vejo soluções.
Talvez eu seja só uma constante de erros, que resultaram em alguns acertos.
(janela do avião)
And I love you, even when I don't like you at all. I don't need nothing to prove it to myself, but I would do anything to prove it to you.

T♥

Engraçado como as coisas mudam.
Eu sei, já repeti isso diversas vezes, mas ainda assim...
Engraçado como as coisas mudam.
Eu não acreditava em amor. Sério mesmo, eu juraria por tudo que amor era egoista, como eu costumava a ser.
Não vou dizer que mudei muito quanto a isso, ainda sou muito egoista. Te quero ao meu lado à todo instante, e não aceito dividir você com mais ninguém.
Não aceito o fato de que sua risada -aquela risada- pode ser ouvida por qualquer um.
Um som tão maravilhoso deveria ser só meu.
Por mais que seu sorriso me faça feliz, eu ainda não estou completamente contente quando sei que ele não pode ser minha exclusividade.
Eu acho, eu realmente acho que você foi totalmente feito só pra mim... Eu posso chorar de alegria olhando seus olhos.
Notando como eles ficam mais claros na luz do sol, como você aperta eles pra rir.
Sua boca quando você fica bravo comigo, seus labios contraem e até nisso eu te amo.
Em todos os pequenos detalhes, em todas as pequenas coisas.
Nas suas mãos quando você discorda de algo que eu falo.
Engraçado como as coisas mudam...
Eu nunca me daria ao trabalho de perceber tudo isso em alguém.
Nunca me importei em conhecer alguém tão bem.

Eu não sei o que você tem de diferente, você simplesmente não tem nada igual à ninguém que eu conheça.
Talvez ninguém no mundo.
Você brilha, e só pra mim.
Eu sei que não deveria depender de alguém como dependo de você.
Mas você é minha razão...
Você me dá asas, você me leva ao céu sem tirar meus pés do chão.
Você, está além dos meus sonhos e muito, muito além da minha realidade.
Durante nossa vida, nos concentramos tanto nas grandes coisas que esquecemos os pequenos detalhes. Uma onda beijando a areia, um passaro voando no céu, e muito além disso, o amor, a quentura no peito que sentimos quando encostamos em alguém especial.
O beijo alegre de boas-vindas, o beijo triste de partida.
São essas pequenas coisas... Se contentar com essas pequenas coisas, que fazem as pessoas mais simples viverem com 100% de si.
É assim que fazemos a vida evoluir, não para o mundo, mas dentro de nós.
Criando esse universo paralelo de beleza.
Um universo que não precisa de grandes festas, de milhares de amigos e lugares incrives. Comida cara ou roupas chiques.
Esse universo basta-se em 10 segundos, em um carinho, um sorriso.
Esse universo dentro de nós se expande com as pequenas coisas, ele cresce e enriquece nossa mente.
Nos mostra que o mais importante não é ter, é ser.
Ser quem você queira ser, estar com quem você queira estar.
É simples e complexo, é minusco mas é enorme.
É o sentimento mais puro, mais belo.
Sem ser absolutamente nada.
Ele é e não é.
Ele existe e não existe.

Nesse universo concentra-se a felicidade em si.
Verdades não me atingem, verdades são só fatos. Verdades doem ao coração, mas fazem bem à mente.

O que me atinge são mentiras sinceras, aquelas que são contadas no calor de uma verdade, que são cuspidas rapidamente em forma de brincadeiras. Mentiras sinceras te fazem refletir, coisa que fazemos raramente com a verdade, por ser tão frágil. As mentiras sinceras, por sua vez, são fortes e permanecem… São como ecos em um corredor vazio, jogados, sem importância, mas ouvidos por qualquer um que esteja presente. São dados importantes, que ficam subentendidos sem serem totalmente dissertados.

Mentiras sinceras podem ser sinceras, ou elas podem ser somente mentiras, e isso as tornam muito mais interessantes.

Eu não tenho medo de verdades… São as mentiras sinceras que me tiram o sono a noite… Mas afinal de contas, o que seria de nós sem nossas indiretas adoradas, sinceras mentiras?
Isso não tem nada a ver com silêncio. Isso são palavras mudas, vomitadas antes de poderem ser engolidas. São gritos surdos, onde a única pessoa capaz de me ouvir sou eu mesma. Isso é o cúmulo da minha paciência, antes de ser totalmente dilacerada.

É até onde eu posso chegar. Não tente me driblar com uma porção de palavras vazias, frases feitas e assuntos fora de questão. Eu te entendo tanto quanto me entendo, eu sou eu tanto quanto sou você. Eu sofro pela sua perda da forma que uma mãe sofre por um aborto.

Você foi querido, e agora você não existe mais.
É fácil assim.
Eu perdi tanto tempo pensando em como eu morreria que esqueci de viver.
Inspirada no meu fim, vi minha vida passar sem motivos.
Sobreviver não é viver.
É como um nada, todo esse tempo passado. É tão superficial... Consigo ver os vãos, as falhas.
Querendo ser o que eu não era. Tentando atingir minha falsa perfeição.
Agora, que tenho certeza do meu verdadeiro ser, entendo como é.
Consigo ver as máscaras, as falsidades.
É tão fácil, tão óbvio.
Tão... Vazio.
A vida vai além da realidade. A vida tem várias paralelas.

Talvez a verdade seja dura demais, mas viver verdadeiramente é o único modo de viver.
É o único caminho que eu conheço.
Agora me sinto avançando.
Me sinto...
Eu simplesmente, sinto.
You carry you heavy heart with such grace.
É essa sua liberdade que me prende. Saber que você não precisa de mim desperta uma necessidade exagerada de ser sua. Gostaria de saber porque raios é tão perfeito e tão errado ao mesmo tempo… Eu te desejo com todas as minhas forças, te agarraro com unhas e dentes. Passar minhas mãos pelo seu corpo, segurar sua nuca contra a minha o mais forte possivel. Sentir meu coração disparar cada vez que você me toca, é tudo novo. Eu te amo é cliche e insuficiente. Me sinto idiota por ter desenvolvido esse fascínio por alguém, principalmente alguém como você, tão diferente de mim, principalmente com toda essa incerteza que me roda. Odeio esse vazio que permanece entre meus lábios quando você está longe, sentindo a falta da sua boca, do seu corpo. Sou sua de corpo e alma, sem opção, eu simplesmente sou.
Eu me complico tentando me entender. É sempre a mesma coisa: Imponho a mim uma realidade falsa, um padrão clichê e me deixo acreditar que sou daquele jeito, depois, me surpreendo com uma atitude desequilibrada de minha parte, visando meus padrões anteriores, que eu mesma impus e disse serem corretos. Então, sou obrigada a rever todas minhas pequenas regras (como se comportar, o que fazer, como se vestir, etc), e acabo, por minha vez, mudando tudo novamente. E eu viro noites, formando uma nova personalidade, uma pessoa diferente, que me agrade… Alguém irreconhecivel, praticamente uma máscara.

Mas máscaras caem.

Estou de luto por minha personalidade, que sumiu há alguns anos e eu não a reencontrei até hoje. Às vezes acho que ela está morta, às vezes tenho esperanças de encontrá-la, em alguma esquina, em alguém… Dentro de mim eu sinto esse vazio, que eu penso substituir meus ideais perdidos, mas aqui vai meu pedido de socorro: Quem a encontrar, por favor, guarde-a com amor até um dia que eu esteja suficientemente centrada para poder listar meus defeitos e minhas qualidades sem entrar em colapso, afinal, eu tenho uma mente forte, mas um coração fraco, e a verdade as vezes pode ser fatal.